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09.03.2011. SP 264: a rodovia da morte de Sorocaba

 (*) Equipe VIVAcidade

Sorocaba - A rodovia é semi-retilínea, com poucas curvas, mas sua topografia de aclives e declives, somada a inúmeros acessos no percurso escondem o perigo iminente. Essa é a João Leme dos Santos, ou SP 264, única via de acesso que liga Sorocaba às cidades de Piedade, Salto de Pirapora, Pilar do Sul e São Miguel Arcanjo.

Para fazer o trajeto de 32 km de ida e volta na referida rodovia, à noite, o site VIVAcidade levou pouco mais de 40 minutos, obedecendo rigorosamente as placas de sinalização da mesma, porém, o que mais dificultava nosso trajeto, desconsiderando as obras de interdição do viaduto que liga à rodovia a Rod. Raposo Tavares, era o grande número de veículos, excesso de velocidade e inúmeros acessos mal sinalizados.

O pequeno trajeto de rodovia entre Sorocaba e Salto de Pirapora tem apenas 16 km, trecho com menos da metade do trajeto entre os bairros Éden, na Zona Norte, e Ipanema das Pedras, na Zona Oeste, que pode levar até 1 hora se percorrido atravessando o centro de Sorocaba.

Utilizando como acesso a Av. Armando Pannunzio, percorremos no sentido Salto de Pirapora. O tempo ajudava e o trânsito não era tão intenso. O anoitecer já prejudicava a visão. Já na saída de Sorocaba, nas proximidades de uma funilaria e do residencial Tivoli, bastante confusão entre os veículos. Alguns fazendo ultrapassagens perigosas, outros tentando acessar o bairro Jd. Tatiana, pertencente ao município de Votorantim, ao lado direito da rodovia. Neste trecho, pouco antes da curva, existem dois retornos que dão acesso a algumas indústrias e comércios. Local sem placas e mal sinalizado.

Passando esse trecho, um dos mais perigosos da rodovia, logo à frente, temos dois outros melhor sinalizados, mas mal feitos, confusos e perigosos. Os retornos permitiam acesso aos condomínios Chácara Santa Maria e Vila Flora. Esses dois retornos são à esquerda da rodovia, o que aumenta o risco de colisão frontal, sem chances de desvio para quem aguarda, caso algum veículo desgovernado venha do outro lado da rodovia. Mais adiante, novamente um retorno, desta vez à frente de um posto de gasolina, dificulta o trajeto da via já que ali é parada de caminhões.

Seguíamos por pequeno trecho mais tranqüilo quando chegamos ao acesso do bairro Green Valey, de Votorantim. Pessoas atravessavam a via neste trecho que tem três pistas, o que aumenta ainda mais o risco de travessia de pedestres.

Passando o bairro do Green Valey, uma rotatória projetada de maneira grosseira fazia com que os veículos reduzissem a velocidade para pegar um aclive já com pouca força. Do outro lado da rodovia, veículos seguiam em alta velocidade até reduzirem bruscamente sobre a rotatória.

Mais à frente, novamente em território sorocabano, novo retorno à direita para o condomínio Fazenda Imperial, que fica à esquerda da rodovia. Neste local, o trânsito ainda era pequeno, mas o número de casas e condomínios no trecho poderá dificultar o acesso no futuro.

Pouco percorremos até alcançarmos duas curvas perigosas e mais à frente acesso ao hotel Pitangueiras (único na região credenciado para a copa do mundo 2014), mais um conjunto de residências para universitários, rotatória de acesso à Ufscar e entrada para a estrada Celso Charuri, que leva ao conjunto Pró-vida, à fazenda do Zoológico de São Paulo e aos bairros Jundiaquara e Ipanema do Meio, em Araçoiaba da Serra. Neste trecho, a atenção teve que ser redobrada devido ao tráfego intenso de veículos que cortavam a pista.

Sem folga, adentramos a um trecho de aclives e declives com agravante de sinuosidade e pequenos espaços para ultrapassagem. Nesta área, vários bairros da cidade de Salto de Pirapora têm acesso pela rodovia. Mais adiante um declive bastante acentuado permite altas velocidades com risco de acidentes, já que do outro lado veículos tinham dificuldade de enxergar os que vão em direção a Salto de Pirapora.

Já estamos na cidade de Salto de Pirapora. Novamente lombadas mal sinalizadas, pedestres atravessando a via e, para finalizar nosso percurso de ida, uma perigosa rotatória de acesso ao centro de Salto de Pirapora.

Na volta, já é noite. A saída da cidade de Salto de Pirapora não possui sinalização de lombadas, outro indicador iminente de acidentes. Novamente, pegamos trecho de aproximadamente dois quilômetros só que agora de aclive, o que dificulta bastante a visão, já bastante ofuscada por faróis altos de carros e caminhões. Começava a arriscada jornada de retorno à cidade de Sorocaba.

Com sinalização de solo praticamente apagada e sem iluminação adequada, motoristas não sabiam onde ficava o acostamento, onde se dividia a pista e onde era permitido ultrapassar com segurança. Novamente, em frente a Ufscar, carros se estreitavam em tentativa de fila dupla, quase que se chocando. Qualquer vacilo no local permitiria ultrapassagens arriscadas feitas pelos mais apressados.

Seguindo adiante, avistamos do lado direito, quase na curva e sobre a escuridão, uma viatura da Polícia Rodoviária abordando um motociclista. Seguimos em frente com velocidade de aproximadamente 80 km/h.

Quando nossa equipe se aproximava da escura, mal sinalizada e perigosa rotatória de acesso à rodovia que liga à cidade de Piedade, fomos surpreendidos por uma viatura da Polícia Rodoviária, aquela que instantes antes teria abordado uma motocicleta. Tivemos que reduzir bruscamente, próximo à curva, adentrar o acostamento e dar passagem à mesma. Risco de acidente.

Pegamos o aclive que passa sobre o bairro Green Valey. Lentidão na pista e constantes fachos de farol alto indicavam algum problema adiante.

Próximo ao condomínio Chácara Santa Maria havia lentidão e congestionamento. Curva e frenagem brusca e perigosa nos fizeram redobrar a atenção. Poderia ali ter ocorrido outro acidente com nossa equipe.

Aquela viatura e mais duas outras viaturas da Polícia Rodoviária prestavam os primeiros socorros a uma vítima que conduzia um veículo Prisma com placas de Votorantim que perdera o controle na curva e colidira frontalmente com um caminhão Mercedes que vinha no sentido contrário. Ainda não havia chegado o resgate.

O jovem de 19 anos de idade que conduzia o veículo Prisma não conseguiu iniciar o trajeto que nossa equipe conseguiu completar. Apenas mais um número que se soma a dezenas de outras vitimas fatais que tentaram cruzar a perigosa rodovia.

Quinze minutos é o tempo de leitura e reflexão deste texto. Em apenas quinze minutos é possível sair de Sorocaba e chegar a Salto de Pirapora. Quinze minutos é o tempo entre a vida e a morte na Rodovia João Leme dos Santos.

(*) Equipe VIVAcidade - 09.03.2011

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