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25.10.2010. Entrevista com Laurentino Gomes

 (*) Leandro Sarubo

Quem pesquisasse pelo nome de Laurentino Gomes há pelo menos três anos descobriria um profissional de trajetória impressionante no jornalismo brasileiro.

Com passagens pelo Estadão e pela Editora Abril, onde inclusive dirigiu parte do portfólio da empresa, o paranaense de Maringá se notabilizava, entre outros trabalhos, pelo seu extenso currículo de reportagens produzidas para a revista VEJA, dona da maior tiragem do país.

Quem pesquisa em 2010 o nome de Laurentino Gomes encontrará o mesmo currículo de dois anos atrás. Mas com um providencial adendo: o nome do jornalista abandonou os créditos e o expediente das publicações para figurar na ponta da tradicional seção com a divulgação dos livros mais vendidos da semana de VEJA.

Autor do best-seller “1808”, Gomes, em uma decisão que causou estranheza a muitos profissionais do meio, trocou, em 2008, sua rotina profissional na Editora Abril por tempo integral de dedicação ao complicado mercado literário. O primeiro resultado desta nova rotina foi justamente seu atual sucesso, “1822”, cujas pesquisas já encaminharam o início do livro que fechará este ciclo literário: “1889”.

Em entrevista concedida via e-mail, Gomes contou do que resultou seu primeiro livro e a reação da imprensa portuguesa em relação ao seu trabalho. Uma conversa franca com o escritor que faz história na História do mercado editorial brasileiro. Confira:

Ao longo de sua carreira, você viajou pela Veja, participou do processo de solidificação das Vejinhas, trabalhou para o grupo Estado, cuidou de algumas revistas do portfólio da Abril e realizou uma pós-graduação em Administração. Em que momento e por qual razão você decidiu mudar sua rotina profissional e enveredar para as obras sobre história?

LG: Sempre fui fascinado pela história. Quando era criança, minhas notas na escola eram obviamente melhores em História e Geografia do que em Matemática, Química e Biologia. Esse interesse também me levou ao Jornalismo. No fundo, a única diferença entre os trabalhos dos jornalistas e dos historiadores está na dimensão do tempo. Repórteres e editores escrevem a história a sangue quente, relatando fatos no instante em que eles acontecem e entrevistando, ao vivo, personagens que no futuro serão objetos de estudo dos historiadores acadêmicos. Sempre tive especial curiosidade pelos momentos fundadores da nacionalidade, que funcionam como o código genético de cada país e ajudam a explicar suas características atuais. O livro "1808" resultou de uma reportagem que eu faria para a revista Veja, onde trabalhei por quinze anos. Essa reportagem não chegou a ser publicada e decidi por conta própria transformá-la em livro.

É sabido hoje que os motivos que levaram a população ituana a defender no século 19 o “projeto” de Dom Pedro, naquilo que posteriormente garantiu à cidade o título de “Fidelíssima”, eram muito pessoais, ligados a regalias que temiam perder. Boa parte da historiografia sobre a passagem, no entanto, segue distante da visão mais realista do que aconteceu nesta época. A historiografia geral sobre a Independência do Brasil é dotada de muitas relativizações?

LG: A história oficial da Independência é repleta de mitos, fantasias e versões que nem sempre estão de acordo com a realidade. O quadro de Pedro Américo é um exemplo. Trata-se de uma idealização da cena real, uma construção tardia, já do final do século XIX, encomendada por D Pedro II ao pintor paraibano como forma celebrar os feitos da monarquia brasileira, a esta altura bastante ameaçada pelos ideais republicanos. Na sua pintura, apresentada ao público em 1888, ou seja 66 anos após o Grito do Ipiranga, Pedro Américo mostra um príncipe impecavelmente vestido, montado sobre um alazão e saudado pelos dragões da Independência. Nada disso é verdade. D. Pedro montava um animal de carga, provavelmente uma mula, estava vestido como um tropeiro e não em uniforme militar, e os dragões da Independência ainda não existiam. A guarda de honra era formada por fazendeiros, cavaleiros e pessoas comuns das cidades do Vale do Paraíba, por onde o príncipe passara alguns dias antes a caminho de São Paulo. Além disso, uma testemunha do Grito (o coronel Marcondes, futuro Barão de Pindamonhangaba) registrou em suas memórias que D. Pedro estava com dor de barriga devido a algum alimento estragado que havia comido no litoral paulista. A cena real é bucólica e prosaica, mais brasileira e menos épica do que a retratada no quadro de Pedro Américo. E, ainda assim, importantíssima. Ela marca o início da história do Brasil como nação independente. Outra questão polêmica é a suspeita de que o quadro de Pedro Américo seja um plágio de uma outra obra famosa, Napoleão em Friedland, de autoria do pintor francês Jean Louis Messonier e exposta atualmente no Metropolitan Museum de Nova York. Os dois quadros são quase idênticos, mas o de Messonier é mais antigo que o de Pedro Américo.

As vendas de 1822 superaram a expectativa da editora em seus primeiros dias, obrigando a impressão de uma nova tiragem. 1808 permanece até hoje entre nas listas de mais vendidos, bem como o Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, de autoria de Leandro Narloch. Tudo isto acontece poucos anos depois da boa vendagem de uma série de livros sobre o período ditatorial, projeto do colunista ElIo Gaspari. Por que os brasileiros passaram a consumir mais produtos sobre a história do país?

LG: Confesso que nunca imaginei que livros sobre História do Brasil tivessem tal repercussão. Minha modesta contribuição é de linguagem. O objetivo é facilitar a vida dos leitores escrevendo numa linguagem simples e acessível. Ninguém precisa sofrer para estudar História.

Em entrevista concedida em setembro ao jornal Folha de São Paulo, você declarou que vê em 1808 e 1822 a possibilidade de adaptação para a televisão, mais precisamente em formato minissérie. Você chegou a assistir alguma obra já produzida com mote em história? Acredita que o Brasil tem domínio suficiente dos processos de produção , não havendo riscos de seus livros perderem qualidade na televisão?

LG: A produção de filmes, documentários e séries de TV de boa qualidade sobre história é muito comum em outros países, especialmente na Inglaterra, nos Estados Unidos e na França. Acho que o desafio é transpor o conteúdo dos livros para o cinema ou para a televisão sem banalizá-lo. No Brasil, não gostei da série Quinto dos Infernos, na minha opinião banal e caricata em excesso. Mas gostei muito de A Muralha, sobre a conquista do planalto paulista, e Mad Maria, sobre a construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré. Acredito que esse é ainda um campo relativamente novo, mas com possibilidade de crescer muito e atrair o interesse dos brasileiros para a área de história, desde que a produção seja confiada a bons roteiros e bons diretores.

1889 será escrito em sua casa ituana?

LG: É difícil imaginar um local mais adequado para pesquisar e escrever sobre a Proclamação da República do que Itu. Aqui foi realizada a primeira convenção republicana do Brasil. Entender como esta cidade se converteu aos ideais republicanos é fundamental para explicar o que acontecia no restante do país naquela época. O acervo de fontes disponíveis para essa pesquisa é precioso porque Itu é sede do Museu Republicano e de uma biblioteca inteiramente dedicada ao tema. Ou seja, estou em casa.

Quando você iniciou 1808, já planejava 1822 e 1889?

LG: Na verdade, o trabalho de pesquisa do primeiro livro conduziu-me naturalmente aos outros dois. O “1822” é uma continuação óbvia do “1808” tanto quanto a Independência do Brasil foi uma consequência natural da mudança da família real portuguesa para o Rio de Janeiro. É quase impossível entender o Grito do Ipiranga sem estudar o que aconteceu nos treze anos anteriores, durante a permanência da corte de D. João VI no Rio de Janeiro. Neste segundo livro eu procuro demonstrar que as perspectivas de fracasso para o Brasil em 1822 pareciam bem maiores do que as de sucesso. O novo país estava falido financeiramente, vivia assombrado pela ameaça de uma guerra civil entre as províncias ou mesmo de uma rebelião de natureza étnica, de escravos contra brancos. Apesar disso, esse Brasil que tinha tudo para fracassar, deu certo por uma notável combinação de sorte, improvisação, acasos e também de sabedoria das lideranças responsáveis pela condução dos destinos do novo país naquele momento de grandes sonhos e muitos perigos. No terceiro livro, o 1889, vou me dedicar ao Segundo Reinado e à Proclamação da República para explicar como o Brasil se manteve após a Independência, por mais de sessenta anos, como uma “flor exótica na América”, ou seja, uma monarquia cercada de repúblicas por todos os lados. Dessa maneira, fecho uma trilogia numérica com as datas ícones da construção do Estado brasileiro no século XIX.

Como tem sido a reação da imprensa portuguesa e dos leitores em relação ao seu trabalho?

LG: A acolhida entre os leitores portugueses tem sido muito boa. Proporcionalmente, o “1808” vendeu mais em Portugal do que no Brasil. Recentemente, ao lançar o “1822” em Portugal, vivi um experiência nova e encantadora. Antes da sessão de autógrafos na cidade do Porto, promovida pela minha editora, dei aula sobre História do Brasil para um grupo de estudantes adolescentes de uma escola de ensino básico. Ali pude compreender perfeitamente que o desconhecimento a respeito da história brasileira é muito grande entre os portugueses. Eles mal sabiam do que significa a data 1822 para nós. Isso, felizmente está mudando.

Você acredita que 1808 e 1822 podem mudar a relação que os brasileiros têm em relação à participação de Portugal na história do Brasil?

LG: O Brasil é a maior invenção de Portugal. Hoje, pela sua dimensão territorial e populacional, é o grande herdeiro da cultura portuguesa no mundo. É um tesouro que nos cabe honrar e preservar. Nós brasileiros conhecemos pouco sobre a história portuguesa e geralmente não temos noção do que aconteceu a D. Pedro I após a abdicação à coroa brasileira, em 1831, quando ele voltou a Portugal para enfrentar o irmão D. Miguel na maior e mais sangrenta guerra civil portuguesa. O sucesso do “1808” indica que o interesse pela história desses dois países tem crescido muito nos dois lados do Atlântico. E isso é uma ótima notícia. Brasileiros e portugueses compartilham raízes comuns e precisam conhecê-las melhor para entender seus próprios países hoje.

(*) Leandro Sarubo é jornalista.

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