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10.10.2008. Marcos Valério é preso em Minas Gerais

 (*) Agência de Notícias

Uma operação realizada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (10) prendeu o empresário Marcos Valério, conhecido como o operador do caso mensalão, em sua casa na região da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), e mais 16 pessoas.

A chamada operação Avalanche foi deflagrada na madrugada de hoje e efetuou mandados nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. A polícia investiga, desde o final do ano passado, um grupo criminoso composto por empresários, despachantes aduaneiros, advogados e policiais civis e federais que praticavam extorsão, fraudes fiscais e corrupção.

De acordo com a PF, foram 17 prisões (8 preventivas e 9 temporárias), sendo 13 em São Paulo e quatro em Minas Gerais. Entre os presos estão dois policiais civis, três policiais federais da ativa, dois policiais federais aposentados, três advogados, três empresários, três despachantes e um servidor da Receita Federal. Rogério Tolentino, sócio de Valério e também personagem do esquema do mensalão, está entre os detidos.

Além das prisões, foram expedidos 33 mandados de busca e apreensão. Os policiais apreenderam notebooks, mídia eletrônica, documentos e mais de R$ 500 mil na casa de um advogado preso em Minas Gerais.

Esquema

Em coletiva de imprensa realizada nesta tarde, em São Paulo, a PF explicou que foram descobertos três núcleos durante as investigações. O primeiro grupo obtinha, através de um empresário do Brás (região central de São Paulo), informações privilegiadas sobre determinados empresários que apresentavam problemas junto ao fisco. O informante tinha contatos em órgãos públicos, como a Polícia Civil e Federal, e a Receita Federal e Estadual). Com os dados em mãos, o grupo praticava extorsão em troca de uma solução ao caso.

O segundo grupo fraudava tributos de importação através de empresas de fachada e com a ajuda de despachantes aduaneiros junto ao porto de Santos, litoral de SP. "Neste grupo estavam dois policiais federais aposentados, dois despachantes e um empresário", afirma Leandro Daiello Coimbra, superintendente da PF em São Paulo.

O terceiro grupo, onde atuava Marcos Valério, foi identificado quando uma empresa, da região de Sorocaba (interior de SP), foi autuada pela Receita Estadual em mais de R$ 100 milhões e os envolvidos tentaram desmoralizar os fiscais responsáveis pela autuação. Marcos Valério, conselheiro da empresa, atuou junto com um advogado para fazer com que dois policiais federais instaurassem um inquérito fraudulento contra os fiscais, o que de fato aconteceu, segundo as investigações. O inquérito já foi apreendido e será analisado pela polícia.

"Em setembro, a polícia apreendeu R$ 1 milhão em Sorocaba que seria levado para pagar o grupo em Santos", afirma Coimbra.

A polícia não divulgou o nome da empresa autuada e afirmou que seus executivos estão sendo investigados, mas não foram presos. O UOL apurou que se trata da Cervejaria Petrópolis, dona da marca Itaipava.

Outro lado

Procurada, a assessoria de imprensa da cervejaria afirmou que agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão na unidade de Boituva (SP), mas que a empresa "não possui qualquer tipo de contrato de trabalho com o Sr. Marcos Valério Fernandes de Souza". A empresa completou que vai se pronunciar apenas depois de analisar o inquérito, mas que "está à disposição das autoridades para prestar qualquer tipo de esclarecimento".

O advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, afirmou no início da tarde que seu cliente será transferido a São Paulo para prestar depoimento ainda hoje. "Nós estamos neste momento sem nenhum detalhe para dar, mas posso te afirmar que (a prisão) não tem nenhuma ligação com o caso do mensalão. (O mandado de prisão temporária) envolveria alguma coisa da cervejaria Itaipava", disse Leonardo. A PF confirmou que a prisão não tem relação com o chamado mensalão.

Valério foi preso temporariamente e permanece na cadeia por cinco dias, prorrogáveis por mais cinco.

Relação e penas

Segundo a PF, os três grupos agiam separadamente, mas tinham ligação por meio de pessoas que atuavam nos três esquemas, como policiais e advogados.

Os acusados podem responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva, extorsão, formação de quadrilha, contrabando e descaminho, quebra de sigilo e divulgação de dados sigilosos. As penas, somadas, ultrapassam 15 anos.

A 1.ª Vara Federal Criminal de São Paulo, que cuida do caso, não forneceu informações pois o processo está sob segredo de Justiça.

Por Gabriela Sylos, com informações de Rayder Bragon em Minas Gerais.

(*) Portal Maratimba - 10.10.2008

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