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História de Sorocaba

 (*) Sílvio Vieira de Andrade Filho

Antes mesmo da existência do município de Sorocaba, em tempos muito distantes, a sua área bem maior que a atual foi cortada pela antiga estrada indígena do Peabiru que garantia o comércio entre incas e índios brasileiros. Pelo menos é o que revela a tradição plena de mitos.

Sorocaba teve início com um povoado fundado em 15.08.1654 pelo Capitão Baltazar Fernandes que trouxe consigo sua família de Santana do Parnaíba, índios escravizados, gado e animais domésticos. Baltazar Fernandes, cujo monumento está em frente da velha Igreja de São Bento, era proprietário das terras que recebeu do rei de Portugal. O povoado foi elevado a município em 03.03.1661 e passou a chamar-se Vila de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba. Na ocasião, foi instalada a primeira Câmara Municipal. Sorocaba pertenceu à comarca de Itu desde 1811. A comarca de Sorocaba foi criada em 30.03.1871. A diocese foi criada em 1924 e suas atividades começaram em 1925.

É bom lembrar que houve dois povoados antes da Vila de Sorocaba: Vila de Nossa Senhora do Monte Serrat no morro de Araçoiaba (atual Ipanema) que data de 1599 e Vila de São Filipe no Itavuvu que data de 1611. O nome deste último povoado é uma homenagem a Filipe, rei da Espanha que foi também de Portugal no período 1580-1640. Como o primeiro povoado não conseguiu prosperar, o pelourinho foi levado para o segundo que também não prosperou. Este então foi levado à Vila de Sorocaba em 03.03.1661 como símbolo do início do novo município desmembrado de Santana do Parnaíba, pertencente à capitania de São Vicente.

De Sorocaba, partiram muitos bandeirantes, corajosos desbravadores dos sertões do Brasil, em busca de ouro e pedras preciosas no século XVII. Pascoal Moreira Cabral partiu de Sorocaba e fundou Cuiabá em 1719, segundo Almeida (s.d.).

A partir do século XVIII, muitos sorocabanos tornaram-se tropeiros. Iam ao sul do Brasil comprar tropas para revenderem na feira de muares de Sorocaba que se tornou muito conhecida em todo o país. Muitos chegaram a morar em localidades no sul do Brasil, exercendo a referida atividade e participando do povoamento de algumas destas. Para homenageá-los, existe em Sorocaba o Monumento aos Tropeiros. O governo municipal está instalado no Palácio dos Tropeiros. O tropeirismo decaiu em fins do século XIX quando começaram a surgir as primeiras indústrias têxteis com o desenvolvimento da lavoura de algodão. Atualmente, a industrialização de Sorocaba está em grande expansão.

Sorocaba vem do tupi “soroc” (rasgar) e “aba”, morfema nominalizador. Assim, Sorocaba significa “rasgão” ou “terra rasgada”. A palavra tupi entra também em Vossoroca, bairro de Votorantim. De acordo com Almeida (1969: 232), a sede do município em 1872 tinha 4793 habitantes. Os bairros rurais possuíam 8166 habitantes. No município todo, havia 3070 escravos.

No inventário de Maria Madalena de Camargo iniciado em 1883, consta uma nota fiscal de venda de cetim, fita azul, renda fina e sapato emitida por Manuel José da Fonseca. Há também no referido inventário um recibo de pagamento de medicamentos ao "Laboratório Pharmacêutico" situado à Rua São Bento, 19 de propriedade de José Joaquim de Carvalho Mascarenhas. No inventário de Roberto Dias Batista (1886), consta que sua família costumava andar pelas ruas de Sorocaba em dois carros puxados por dez juntas de boi no total.

Em 18.12.1887, o Diário de Sorocaba traz uma curiosa propaganda em que a Farmácia Central avisa o público que já estão à venda as famosas bichas hamburguesas. Este jornal, no dia 05.12.1891, traz uma propaganda da oficina de costuras de Cantalice Vieira na Rua São Bento capaz de fazer rapidamente roupas pretas para pessoas de luto.

Sorocaba só tinha seis soldados para uma população de 15 mil habitantes e não tinha ainda resolvido o seu abastecimento de água (O 15 de Novembro: 01.10.1896). Neste mesmo dia, o jornal traz a propaganda de Dona Líbera, parteira da Rua Boa Vista.
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Fonte: Andrade Filho, Sílvio Vieira de (2000: 28)

(*) Sílvio Vieira de Andrade Filho (vieira.sor@terra.com.br) é historiador, lingüista e autor do livro "Um Estudo Sociolingüístico das Comunidades Negras do Cafundó, do Antigo Caxambu e de seus Arredores" (ISBN 85-89017-01-X, Secretaria da Educação e Cultura de Sorocaba, 2000). Objeto de reportagens na mídia, esta obra tem levado o autor a congressos científicos e à elaboração de artigos. É de sua autoria também o livro"Guareí" (ISBN 85-904104-1-2, Prefeitura Municipal e Câmara Municipal de Guareí, 2004). Por conta desta obra, o autor tem recebido grande quantidade de e-mails de pesquisadores e de pessoas naturais do referido município e da região que residem em diversos pontos do Brasil. O autor escreveu também o livro "Itapetininga", publicado em 2006 ((ISBN 85-904104-3-9). Com este, o autor também tem recebido grande quantidade de e-mails com apreciações positivas de pessoas que têm vínculos com o referido município paulista e que residem em várias partes do Brasil. O autor possui 02 sites diferentes com estes endereços:
http://www.cafundo.site.br.com
http://inforum.insite.com.br/8400

A rota Sorocaba e região para o sul e vice-versa: tropeirismo, movimentações e migrações

(*) Sílvio Vieira de Andrade Filho

A partir do século 18, muitas pessoas de Sorocaba e adjacências se tornaram tropeiros. Pelo caminho das tropas, iam ao sul do Brasil comprar eqüinos que eram revendidos na feira de muares de Sorocaba, muito conhecida em todo o país. Muitos chegaram a morar em localidades no sul do Brasil, exercendo a referida atividade. Muitos ficaram definitivamente no sul. Muitos retornaram a Sorocaba e região. Por outro lado, muitos do sul do Brasil vieram para Sorocaba e região como tropeiros. Muitos se fixaram na região de Sorocaba e muitos retornaram ao sul. Na época, quando o mapa da rota Sorocaba e região para o sul do Brasil e vice-versa ainda não estava pulverizado de pontos urbanos, houve também muita movimentação de pessoas pelo caminho das tropas que não se dedicavam à vida tropeirística, mas que desejavam rever a família, resolver negócios, etc. Para homenagear os tropeiros, existe em Sorocaba o Monumento aos Tropeiros. O governo municipal está instalado no Palácio dos Tropeiros. O tropeirismo decaiu em fins do século 19 quando começaram a surgir em Sorocaba as primeiras indústrias têxteis com o desenvolvimento da lavoura de algodão.

O português Simão Barbosa Franco casou-se primeiramente em 1737 em Curitiba onde viveu. Em 1766, ele é dono de fazenda nos campos de Lages. A Vila de Lages ainda não estava fundada. Em fins de 1766, chegou aos ditos campos o grupo comandado pelo paulista Cap. Antônio Correia Pinto de Macedo para providenciar a fundação da Vila de Lages. Em 1768, Simão é diretor da fundação oficial da Vila de Itapetininga. Em 1769, ele se casa em segundas núpcias em Itu quando declara ser dos campos de Lages. Em 1769, ele obtém em agosto licença para ir aos referidos campos e em dezembro manda buscar animais no mesmo local. No começo de 1770, ele impede o tropeiro João da Costa de invernar a sua tropa num certo local de Itapetininga. Em 05.11.1770, ocorreu a fundação de Itapetininga e Simão é um dos fundadores. Em 1772, Simão vai definitivamente para a Vila de Lages, importante centro tropeirístico fundado em 1771.

Num documento de 1772 arquivado no Fórum Velho de Itapetininga referente a 28 potros, há uma carta precatória de 1770 da Vila de Santana do Parnaíba em que a inventariante Ana Francisca Lima afirma que o seu marido Luís da Silva Figueiró ia a negócios a São Pedro do Sul. Ele faleceu no Rio Grande do Sul.

Em 1774, o tropeiro Antônio José Domingues veio de Viamão com a sua tropa constituída de 525 bestas que deixou invernando primeiramente nos campos de Capivari. Como os referidos campos não estavam mais servindo, o dito tropeiro transferiu a tropa para um segundo local. Salvador de Oliveira Leme (inspetor e administrador de Itapetininga) mandou expulsar a tropa deste segundo local, o que provocou reclamação por parte de Domingues.

Em 1779, Salvador de Oliveira Leme entra com requerimento na Vila de Itapetininga contra Paulo Leite de Moraes que faleceu devendo à Fazenda Real certo valor referente a uma tropa proveniente do Rio Grande do Sul.

Em 1780, segundo um documento arquivado no referido fórum de Itapetininga, o Capitão-mor Salvador de Oliveira Leme entra com um requerimento na Vila de Nossa Senhora dos Prazeres de Itapetininga contra o devedor Alexandre de Gusmão, tropeiro do Rio Grande do Sul. Gusmão está em lugar desconhecido e deixou sua tropa em poder de Bernardino Alves da Silva na paragem denominada Capão Alto.

Devido a atividades ligadas ao tropeirismo na região, foi erguida a Capela da Fazendinha (atual Sarapuí).

O Tenente Francisco de Paula Penteado esteve também no sul do Brasil. Ele faleceu em 1833 em Sorocaba. No testamento de 1833, ele manifesta o desejo de que haja a liquidação do negócio de "tropas de bestas" com o seu irmão Cap. Antônio de Almeida Leite Penteado. Num trecho, o Ten. Francisco fala de seu retorno a casa proveniente dos Campos Gerais de Curitiba com animas que lá adquiriu. Os filhos do Ten. Francisco de Paula Penteado estiveram também em Lages, com aprovação paterna, de onde retornaram posteriormente.

Em 04.02.1837, a Câmara Municipal de Itapetininga emite declaração em que consta Américo Antônio Aires ser possuidor de três extensas fazendas com terras, campos e matos. Os campos servem unicamente de invernada e são arrendados por tropeiros.

Esteve também em Lages o Cap. Antônio de Almeida Leite Penteado. Retornou do sul em 1838 aproximadamente para morar em Itapetininga onde tinha um negócio de bestas com o seu sobrinho que sempre ia ao sul. O padre que possuía o mesmo nome do capitão seu pai foi também para o sul e na povoação de Soledade (atual Rio Grande do Sul) fez em 1847 o casamento de José (nascido em Itapetininga em 1822) que afirma ser filho do capitão. O capitão, porém, não o reconhece como seu filho e nem no documento de batismo consta o nome do capitão como pai. José permaneceu no sul.

Em seu testamento de 1840, o proprietário de terras Américo Antônio Aires, residente em Sorocaba, menciona um filho fora do casamento de nome Antônio. Américo orientou-o a ir ao sul do Brasil e deu-lhe 800 mil réis e um escravo. Quando já estava com muitos bens, Antônio começou a mandar-lhe cartas desrespeitosas do sul. Posteriormente, enviou-lhe de volta o escravo e o dinheiro.

Em 1841, Salvador de Oliveira Aires II (Ana Vieira Aires) moveu ação, encontrada no Arquivo do Fórum de Itapetininga, contra João José de Deus, afirmando que este invadiu os seus campos que estavam sendo arrendados e nestes fez queimadas e roças, atrapalhando bastante as tropas que aí se encontravam invernando.

No inventário do casal Pedro de Almeida Lara-Josefa Leite de Godói de 1843, dos nove herdeiros, só quatro se encontravam morando na região. Os demais estavam morando no sul do Brasil. Dos que estavam no sul, retornaram posteriormente Manoel de Almeida Leite e João de Almeida Leite. Há procuração dos que ficaram no sul datada de 1846 e 1847 proveniente do Rincão de São Pedro ou São Pedro do Sul que tinha grande importância tropeirística.

Numa ação judicial de 1857, consta que o acusado Francisco Pereira de Barros deixou a família na Areia Branca (atual bairro do município paulista de Guareí) e foi para o sul do Brasil. Numa estância de Missões, deixou 50 bestas, tendo seguido o seu caminho com uma carga de fumo para vender sem nunca mais procurar os animais. Tendo recebido de Missões uma carta do acusado, Mariano Xavier da Costa foi à Província do Sul e perguntou por ele a diversas pessoas dentre as quais alguns castelhanos.

Em 1866, Francisco Caetano de Oliveira e sua mulher Ana Rodrigues de Sousa, através de procuração de 1864 elaborada na cidade de Lages, Província de Santa Catarina, vendem para Manuel Maria Xavier de Araújo um sítio na Barra (Sorocaba).

Em 24.09.1881 na Matriz de Sorocaba, ocorreu o casamento do viúvo Manuel Amaro Gonçalves com Maria Francisca de Almeida, filha de José Maria Pedroso com Francisca Maria de Almeida, natural de Lages.

Juquinha Leme (José Moreira de Campos) estava com 20 anos no inventário de 1897 de seu pai Francisco Leme de Campos. Juquinha Leme foi proprietário de um sítio no Guaxinduva (atual município de Salto de Pirapora, SP) e, como tropeiro, costumava ir ao Rio Grande do Sul comprar muares para serem revendidos aos fazendeiros de Sorocaba e região. A sua vida de tropeiro teve início em sua mocidade e durou mais ou menos 20 anos. Ele e os seus peões iam de trem até Campos Novos numa viagem de quinze dias. A volta a Sorocaba só ocorria depois de seis meses. No percurso, os animais adquiridos tinham que atravessar pequenos rios a nado. Na travessia, só as orelhas dos animais podiam ser vistas à flor da água.

Em 1899, José Antunes de Sousa Branco e sua mulher Dona Gabriela de Oliveira Rosa, residentes na Barra (Sorocaba), preparam o seu testamento em que é citada a mãe de Gabriela como residente em Carazinho, RS. Em 1912, falece Gabriela, natural do Rio Grande do Sul, tendo sido sepultada no cemitério do centro de Salto de Pirapora, SP.

No inventário do Tenente-coronel Manuel Joaquim de Andrade, morador de Guareí, SP, iniciado em 1903, consta o nome de uma de suas filhas Maria Teresa da Costa, viúva e residente em Cruz Alta, RS. Ela se casou em Tatuí, SP, com Mariano Xavier da Costa em 1854.

Morador de Salto de Pirapora, SP, Manuel Moreira Farrapo (1927-2008) afirma ter ouvido dos antigos que a família Farrapo de Salto de Pirapora teve início com um tropeiro gaúcho que costumava sair do Rio Grande do Sul com a sua tropa em direção a São Paulo. No percurso, ele ia domando e vendendo os seus burros. Como tivesse roubado uma mulher em sua terra natal e temendo represálias, resolveu fixar-se na região, abandonando as atividades tropeirísticas. Flávio de Oliveira Ramos (1936-2000) afirma que um tropeiro, proprietário de extensas terras na região, estava voltando do Rio Grande do Sul com a sua tropa quando encontrou um moço todo esfarrapado numa estrada. Todos os membros da comitiva conversaram com ele. Excelente peão, foi logo incorporado à comitiva, passando a ser chamado de Francisco Moreira Farrapo. O tropeiro que o acolheu passou a considerá-lo um herdeiro.

Bibliografia

ANDRADE FILHO, Sílvio V. de

(2000) Um Estudo Sociolingüístico das Comunidades Negras do Cafundó, do Antigo Caxambu e de seus Arredores (obra resultante de tese de Doutorado na USP), Secretaria da Educação e Cultura de Sorocaba, Editora e Gráfica Paratodos, Sorocaba

(28.08.2001) Um caso de amor no século 19. Trata da vida do Capitão Antônio de Almeida Leite Penteado. Em A Tribuna de Sorocaba , Sorocaba

(2004) Guareí , Prefeitura e Câmara Municipal de Guareí, Gráfica Manchester, Sorocaba

(14.05.2005) História revela pontos em comum entre Itapetininga e Lages. Em Jornal Nossa Terra , Itapetininga

(2006) Itapetininga , Gráfica Manchester, Sorocaba

(2009) Um Estudo Sociolingüístico das Comunidades Negras do Cafundó, do Antigo Caxambu e de seus Arredores , 2a. edição ampliada, RR Donnelley, São Paulo

(*) Sílvio Vieira de Andrade Filho (vieira.sor@terra.com.br) é pesquisador, lingüista e historiador e Doutor pela USP. Possui na internet os seguintes sites:

http://www.cafundo.site.br.com
http://inforum.insite.com.br/8400

A História do Tropeirismo em Sorocaba

(*) Assessoria de Comunicação

Tropeirismo - Segundo o historiador Aluísio de Almeida, o Tropeirismo é um complexo de fatos geográficos, históricos, sociais, econômicos e até psicológicos, relacionados com as tropas de transporte em todo o País. Ciclo econômico e social, o tropeirismo é peculiar ao centro-sul brasileiro. Sucede ao bandeirantismo e coexiste com os ciclos da mineração, do açúcar e do café em quase todas as regiões brasileiras. Substituído, aos poucos, pelo transporte a vapor e motorizado, persiste como meio de transporte em regiões montanhosas e de difícil acesso.

O Ciclo do Tropeirismo - Começou por volta de 1733, com o português Cristóvão Pereira de Abreu, que abriu estrada ligando Curitiba a Sorocaba, conduzindo mulas e gado. Mas é a partir de 1750, com o Registro de Animais ao lado da ponte sobre o Rio Sorocaba, que tornou-se sistemática a passagem de tropas xucras ou arreadas por aqui e a consequente realização das grandes feiras que, em geral, duravam dois meses. Terminou por volta de 1897, quando se realizou a última feira em Sorocaba. Os anos de 1750 a 1850 são considerados como a fase áurea do tropeirismo.

O tropeirismo caracterizou-se pelo uso generalizado do lombo de animal, equino ou muar - especialmente este, para o transporte de cargas. O se faz hoje em caminhões, era feito pelas tropas arreadas, isto é, um conjunto de 8 a 10 animais equipados com cangalhas nas quais eram penduradas as canastras ou as bruacas contendo as mercadorias. Esse tipo de tropa, também chamada de tropa cargueira ou de comércio, era constituída por animais mansos, tendo à frente a mula da "cabeçada", assim chamada por sua posição na tropa e porque levava na cabeça ou pescoço alguns guizos, tendo o cabresto encimado por um pano vermelho: a "boneca", sempre seguida pelos outros animais, inclusive a "madrinha", se estivesse presente.

Cada tropa tinha seus homens responsáveis que a conduziam a pé e cuidavam de outras tarefas, como cozinha e arreamento. O tropeiro era o chefe e geralmente ia montado. Sem a tropa arreada, levando e trazendo mantimentos, roupas e utensílios, dificilmente as "ilhas de civilização" - que eram as pequenas povoações espalhadas por esse imenso País - teriam sobrevivido. Entretanto, foi a tropa solta ou xucra, que os tropeiros de Sorocaba e Região Sul traziam dos pampas gaúchos até Sorocaba, onde os animais eram domados por famosos peões e vendidos nas feiras que aqui se realizavam, principal fornecedora do meio mais eficiente de transporte da época: o muar.

O caminho para o sul - No Estado de São Paulo: Sorocaba, Campo Largo (atual Araçoiaba da Serra), onde invernavam as tropas, Alambari ou Pouso das Pederneiras, Itapetininga, Buri, Itapeva, Itararé.

No Paraná: Jaguariaiva, Castro, Ponta Grossa, Palmeiras, Guarapuava, Curitiba, São José dos Pinhais, Lapa, Rio Negro.

Em Santa Catarina: Mafra, Curitibanos e Lajes.

No Rio Grande do Sul: Passo Fundo, Cruz Alta, Vacaria, Viamão, Porto dos Casais.

Muitas destas e ainda outras cidades surgiram de primitivos pousos de tropeiros.

Pouso de Tropeiros - O pouso, como o próprio nome diz, era o local de parada durante as longas jornadas dos tropeiros. O local deveria oferecer condições mínimas de segurança à tropa, água e alimento. O local de descanso dos tropeiros podia ser a céu aberto, com quase nenhum recurso, ou dispor de pequena cobertura de palha ou telheiro, que garantia proteção contra chuva, sereno ou vento. Muitos pousos deram origem a vilas e, posteriormente, a cidades.

A Feira de Muares - Ocorria durante todo o ano, mas crescia nos meses de abril e maio, quando para Sorocaba afluíam, além de compradores de animais, ricas famílias da capital e cidades vizinhas que vinham para se divertir. A cidade apresentava aspecto festivo com a presença de mascates, fabricantes de arreios, ourives especializados em prata, circo de cavalinhos, companhias de teatro, jogadores, cantores e outros. Ela começava com a venda do primeiro lote de animais. O grito de "Rebentou a feira!" era o sinal para o início de todos os outros negócios. À noite, os tropeiros se entregavam aos vários divertimentos procurando esquecer as agruras das longas jornadas.

O traje de tropeiro - O comum era calça e camisa de pano grosso e botas até os joelhos; os tocadores de lotes (personagens mais humildes), provavelmente andavam descalços ou com simples alpercatas de couro; o chapéu era de abas largas, sendo a da frente, algumas vezes, presa à copa. Usavam ainda o facão sorocabano (largo e de ponta curva), a guaiaca (cinto de couro com divisões), o xiripá (grande faixa enrolada entre as pernas e que muitas vezes se reduzia a uma simples tira à volta da cintura).

A provisão para a longa viagem consistia em feijão, toucinho defumado, carne seca, farinha de mandioca, café e chá. A partir do início da implantação das ferrovias (1875) começou a definhar o comércio de tropas. Sorocaba teve sua última feira em 1897, quando ocorreu o primeiro surto de febre amarela que encerrou esse capítulo da história sorocabana, embora o comércio de animais, muares, equinos trazidos do sul, tenha continuado até meados do século vinte.

A lição admirável que se pode encontrar na façanha silenciosa do Tropeiro, integrando a Região Sul à comunidade brasileira ou penetrando nas áreas difíceis do nordeste e centro-oeste, símbolo da coragem e pioneirismo que deve continuar a ser lema de Sorocaba.

O feijão tropeiro - Basicamente, feijão cozido, com toicinho defumado, carne seca, engrossado com farinha de mandioca ou milho. Pode ser acompanhado com torresmo e couve frita. Esse prato varia conforme a disponibilidade dos produtos mas, essencialmente, não apresentava grandes mudanças. Alimento calórico para satisfazer as necessidades do trabalho pesado dos tropeiros. Muitas vezes, consistia na única refeição do dia, depois de uma longa jornada de estrada e da lida atenta e cansativa das tropas.

Na maioria das vezes, era um menino de pouco mais de dez ou doze anos o responsável pela cozinha. Acordava cedo, preparava o café simples e saía na frente. Providenciava o feijão, e aguardava a chegada da tropa.

Receita Básica de Feijão Tropeiro - 2 pratos de feijão cozido; 500 gramas de toicinho defumado; 200 gramas de lingüiça defumada; 200 gramas de carne seca desfiada ou em pequenos pedaços; 500 gramas de farinha de milho; Cebolinha, sal e alho. Modo de fazer: Corte o toicinho em pedaços, frite e separe. Faça o mesmo com a linguiça e a carne seca. Numa panela grossa, coloque duas colheres de banha de porco, frite o alho e coloque o feijão sem o caldo. Acrescente o caldo e o sal a gosto. Coloque, então, a carne seca e a linguiça. Misture bem. Depois, o cheiro verde e complete, aos poucos, com a farinha de milho, mexendo sempre, até ficar em ponto de angu. Sirva com arroz, couve frita e torresmo pururuca. Cálculo por pessoa: feijão - 50 gramas; arroz - 50 gramas; carnes (todas juntas) - 200 gramas.

Sorocaba sinalizou o "Caminho das Tropas"

Em 2008, A Prefeitura de Sorocaba sinalizou o "Caminho dasTropas", inserindo placas e totens ao longo de todo o percurso que, atualmente, passa por modernas e movimentadas vias da cidade.

Além das placas, há também 25 marcos de sinalização. A intenção da Prefeitura de Sorocaba foi marcar todo o "Caminho das Tropas", iniciando pelas avenidas Luiz Mendes de Almeida e General Carneiro, passando pela praça Nove de Julho e a avenida Moreira César e pelas ruas da Penha, São Bento e XV de Novembro, até chegar às avenidas São Paulo, Engenheiro Carlos Reinaldo Mendes e Três de Março.

"Conduzidas por tropeiros paulistas - principalmente sorocabanos - além de paranaenses, catarinenses, gaúchos e castelhanos, vinham, todos os anos, a Sorocaba, dezenas de tropas de muares (burros e mulas), para serem vendidas na Feira de Sorocaba, que acontecia de março a maio. Chegavam visitantes e negociantes de todas as regiões do Brasil. A população da cidade triplicava com o maior evento de comércio de mulas do mundo. Sorocaba viveu um período de riqueza, luxo e alegria, nos séculos XVIII e XIX...". Essa história está contada em totens espalhados pela cidade ao longo do "Caminho das Tropas".

Manifestações folclóricas ligadas ao Tropeirismo

Fandango - De origem espanhola, o fandango é a dança tradicional dos tropeiros, executada na época por homens e acompanhada pela viola. Dança de desafio, marcada por sapateado, palmas e exibição de destreza. Os passos mantêm denominações que remetem à tradição rural e tropeira: bate-na-bota, varginha simples, palmeada, cerradinho, quebra-chifre, entre outras. Dançava-se o fandango nos pousos e festas. Os participantes utilizam chapéus, botas, lenços amarrados no pescoço e chilenas, isto é, esporas cujas rosetas denteadas são substituídas por rosetas de metal, que retinem nas batidas dos pés.

Cururu - Cururu é desafio cantado e improvisado da região Sul-Paulista. Surgiu na época dos bandeirantes, como louvação aos santos. Improvisavam-se os cantos, entremeados de pedidos e agradecimentos. Transformou-se em desafio de cantadores, que criam provocações e respostas sempre cantadas, seguindo rimas ou carreiras: o primeiro cantador escolhe a carreira, que os demais devem respeitar. As mais utilizadas são as carreiras de São João (terminadas em ão), do Sagrado (terminadas em ado). As mais difíceis são as carreiras de Deus Onipotente (terminadas em ente), São Pedro (terminadas em edo), entre outras.

Na época dos tropeiros os cantadores de cururu apresentavam-se pelas ruas e praças e nos pousos ao redor da cidade, atraindo a atenção de todos em exibições que chegavam a varar a madrugada até o amanhecer.

No século XX, as exibições de cururu continuaram nas festas de São João e do Divino e, também, aos finais de semana no Largo do Mercado e nas praças centrais. As estações de rádio mantiveram, por décadas, programas semanais de cururu Atualmente, ainda acontecem apresentações de cururus em clubes, bares e festas de nossa cidade.

Cana Verde - A Cana Verde, assim como o cururu, é desafio trovado, de improviso, a partir de um refrão. As estrofes são curtas e ágeis. Os cantadores improvisam um de cada vez, exigindo grande habilidade e rapidez.

Moda de Viola - Segundo o pesquisador de Música Popular Brasileira, Zuza Homem de Mello, a música caipira tem local certo de nascimento: compreende o espaço entre Sorocaba, Tietê e Botucatu. Se aqui nasceu, foi divulgada pelos tropeiros e se difundiu para todo o Brasil, especialmente Minas, Mato Grosso, Goiás e Paraná.

As primitivas modas de viola apresentavam uma estrutura mais longa, uma história completa e detalhada sobre personagem ou acontecimento. Com a gravação em disco, houve a necessidade de se reduzir a duração das modas, que ainda preservaram a tradição formal de se cantar uma história e acompanhada pela inseparável viola.

Viola - A viola era a grande companheira dos tropeiros em suas longas viagens, nos pousos e nas vilas por onde passavam. Foram eles os responsáveis pela difusão da moda de viola - nascida na região de Sorocaba, Piracicaba e Botucatu.

Alguns provérbios e expressões tropeiras

- Burro velho não pega trote - Com o passar dos anos, é mais difícil aceitar as mudanças.

- Quem lava cabeça de burro perde o trabalho e o sabão - Discutir com teimoso é trabalho perdido.

- Onde vai o cincerro vai a tropa - onde o líder vai, leva consigo o grupo.

- Pela andadura da besta se conhece o montador - Pelos atos se conhece a pessoa.

- Picar a mula - Ir embora.

- Deu com os burros n'água - Trabalho ou coisa que não deu certo.

- Teimoso como uma mula.

- Tem caveira de burro - Coisa azarada.

- Estar com a tropa ou estar com o burro na sombra - Estar tranqüilo, com sucesso.

Fontes bibliográficas para o estudo do Tropeirismo

ALMEIDA, Aluísio de. Vida e Morte do Tropeiro. São Paulo, Martins, 1971.
________, O Tropeirismo e a Feira de Sorocaba, São Paulo, Luzes, 1968.
BONADIO, Gerado (organizador) O Tropeirismo e a Integração Geográfica e Cultural do Brasil. Sorocaba, Prefeitura de Sorocaba, 1999.

Centro Nacional de Estudos do Tropeirismo
Casarão do Brigadeiro Tobias
Situado em Sorocaba no Bairro de Brigadeiro Tobias

(*) Prefeitura de Sorocaba

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