(*) Sílvio Vieira de Andrade Filho
Antes mesmo da existência do município de Sorocaba, em tempos muito distantes, a sua área bem maior que a atual foi cortada pela antiga estrada indígena do Peabiru que garantia o comércio entre incas e índios brasileiros. Pelo menos é o que revela a tradição plena de mitos.
Sorocaba teve início com um povoado fundado em 15.08.1654 pelo Capitão Baltazar Fernandes que trouxe consigo sua família de Santana do Parnaíba, índios escravizados, gado e animais domésticos. Baltazar Fernandes, cujo monumento está em frente da velha Igreja de São Bento, era proprietário das terras que recebeu do rei de Portugal. O povoado foi elevado a município em 03.03.1661 e passou a chamar-se Vila de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba. Na ocasião, foi instalada a primeira Câmara Municipal. Sorocaba pertenceu à comarca de Itu desde 1811. A comarca de Sorocaba foi criada em 30.03.1871. A diocese foi criada em 1924 e suas atividades começaram em 1925.
É bom lembrar que houve dois povoados antes da Vila de Sorocaba: Vila de Nossa Senhora do Monte Serrat no morro de Araçoiaba (atual Ipanema) que data de 1599 e Vila de São Filipe no Itavuvu que data de 1611. O nome deste último povoado é uma homenagem a Filipe, rei da Espanha que foi também de Portugal no período 1580-1640. Como o primeiro povoado não conseguiu prosperar, o pelourinho foi levado para o segundo que também não prosperou. Este então foi levado à Vila de Sorocaba em 03.03.1661 como símbolo do início do novo município desmembrado de Santana do Parnaíba, pertencente à capitania de São Vicente.
De Sorocaba, partiram muitos bandeirantes, corajosos desbravadores dos sertões do Brasil, em busca de ouro e pedras preciosas no século XVII. Pascoal Moreira Cabral partiu de Sorocaba e fundou Cuiabá em 1719, segundo Almeida (s.d.). A partir do século XVIII, muitos sorocabanos tornaram-se tropeiros. Iam ao sul do Brasil comprar tropas para revenderem na feira de muares de Sorocaba que se tornou muito conhecida em todo o país. Muitos chegaram a morar em localidades no sul do Brasil, exercendo a referida atividade e participando do povoamento de algumas destas. Para homenageá-los, existe em Sorocaba o Monumento aos Tropeiros. O governo municipal está instalado no Palácio dos Tropeiros. O tropeirismo decaiu em fins do século XIX quando começaram a surgir as primeiras indústrias têxteis com o desenvolvimento da lavoura de algodão. Atualmente, a industrialização de Sorocaba está em grande expansão.
Sorocaba vem do tupi “soroc” (rasgar) e “aba”, morfema nominalizador. Assim, Sorocaba significa “rasgão” ou “terra rasgada”. A palavra tupi entra também em Vossoroca, bairro de Votorantim. De acordo com Almeida (1969: 232), a sede do município em 1872 tinha 4793 habitantes. Os bairros rurais possuíam 8166 habitantes. No município todo, havia 3070 escravos. No inventário de Maria Madalena de Camargo iniciado em 1883, consta uma nota fiscal de venda de cetim, fita azul, renda fina e sapato emitida por Manuel José da Fonseca. Há também no referido inventário um recibo de pagamento de medicamentos ao "Laboratório Pharmacêutico" situado à Rua São Bento, 19 de propriedade de José Joaquim de Carvalho Mascarenhas. No inventário de Roberto Dias Batista (1886), consta que sua família costumava andar pelas ruas de Sorocaba em dois carros puxados por dez juntas de boi no total. Em 18.12.1887, o Diário de Sorocaba traz uma curiosa propaganda em que a Farmácia Central avisa o público que já estão à venda as famosas bichas hamburguesas. Este jornal, no dia 05.12.1891, traz uma propaganda da oficina de costuras de Cantalice Vieira na Rua São Bento capaz de fazer rapidamente roupas pretas para pessoas de luto. Sorocaba só tinha seis soldados para uma população de 15 mil habitantes e não tinha ainda resolvido o seu abastecimento de água (O 15 de Novembro: 01.10.1896). Neste mesmo dia, o jornal traz a propaganda de Dona Líbera, parteira da Rua Boa Vista.
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Fonte: Andrade Filho, Sílvio Vieira de (2000: 28)
(*) Sílvio Vieira de Andrade Filho (vieira.sor@terra.com.br) é historiador, lingüista e autor do livro "Um Estudo Sociolingüístico das Comunidades Negras do Cafundó, do Antigo Caxambu e de seus Arredores" (ISBN 85-89017-01-X, Secretaria da Educação e Cultura de Sorocaba, 2000). Objeto de reportagens na mídia, esta obra tem levado o autor a congressos científicos e à elaboração de artigos. É de sua autoria também o livro"Guareí" (ISBN 85-904104-1-2, Prefeitura Municipal e Câmara Municipal de Guareí, 2004). Por conta desta obra, o autor tem recebido grande quantidade de e-mails de pesquisadores e de pessoas naturais do referido município e da região que residem em diversos pontos do Brasil. O autor escreveu também o livro "Itapetininga", publicado em 2006 ((ISBN 85-904104-3-9). Com este, o autor também tem recebido grande quantidade de e-mails com apreciações positivas de pessoas que têm vínculos com o referido município paulista e que residem em várias partes do Brasil. O autor possui 02 sites diferentes com estes endereços:
http://paginas.terra.com.br/educacao/cafundo
http://www.cupopia.hpg.com.br
http://inforum.insite.com.br/8400
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